sábado, 17 de junho de 2017

A função terapêutica do bdsm

Crônicas do Mestre Sade

Existem pesquisas que demonstram que o BDSM pode ser usado como elemento terapêutico. Um estudo da Universidade de Northem Illinois, por exemplo, mostrou que uma sessão de sadomasoquismo provoca reação semelhante à da meditação. Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine (feito com análise de 902 praticantes) mostrou que os praticantes de BDSM têm baixo nível de rejeição, são abertos ao novo e no geral têm um bom estado psicológico. Nos EUA há um psicólogo que usa bondage no tratamento de seus pacientes. Segundo ele, a amarração provoca uma sensação de segurança equivalente a um abraço, liberando o hormônio ocitocina na pessoa que está sendo amarrada.
Desde que comecei a praticar BDSM sempre percebi que havia algo de terapêutico nas práticas. A prática escolhida pela submissa estava sempre relacionada a uma motivação psicológica. Uma moça que não teve atenção do pai quando pequena pode por exemplo, se encantar com o age e procurar um Daddy que cuide dela.
O mesmo ocorre com o bondage. Sempre percebi que ele provoca uma sensação de relaxamento tanto em quem amarra quanto em quem é amarrado.
Talvez a situação mais gritante de função terapêutica do bondage foi quando vi um dominador amarrar uma moça deficiente. Ela andava em cadeira de rodas nitidamente tinha problemas para mexer até mesmo as mãos, mas encontrava satisfação em ser amarrada e ter seus movimentos restrito pelas cordas. Era, provavelmente, uma forma de lidar com as próprias limitações pessoais e tirar prazer da restrição de movimentos.
Em Fortaleza conheci uma moça, Fran Lauren, que entrou no BDSM justamente buscando essa função terapêutica. Tive ocasião de amarrá-la e segundo relatos dela, o bondage ajudou em muito a aliviar as dores, permitindo inclusive que ela dormisse melhor.
Reproduzo aqui uma entrevista com ela a respeito de sua experiência com esse aspecto do BDSM.

MESTRE SADE: Você teve um acontecimento em sua vida que a deixou com várias sequelas. Pode falar um pouco sobre essas sequelas

Fran: As seqüelas são dores fortíssimas na região do encéfalo  e lesões desmielinizantes espalhadas pelo corpo causando muitas vezes a paralisação dos membros superiores e inferiores. É uma dor na fibra dos nervos, de origem neurológica.

MESTRE SADE: Como você chegou ao BDSM?

Fran: A vida pra mim sempre foi muito difícil, mas sempre senti dentro de mim que valia a pena ser feliz e viver, mesmo sentindo muita dor. Sempre gostei de beijar, namorar, fazer amor é ter uma vida sexual ativa, mas devido às dores eu não conseguia absolutamente nada disso,  me sentia impotente e incapaz de ter vida se tudo que eu fazia em cada movimento eu sentia mais dor. Ainda no hospital conversando com meu psicólogo eu disse a ele que tinha a necessidade de ter vida e ser normal como as demais mulheres e ele me disse que eu mesma tinha que encontrar um equilíbrio, pois só eu teria como descobrir o prazer de viver novamente mesmo sentido dores que só o mais forte dos ópios chamada óxicodona conseguia diminuir. Eu não tinha vida, pois não dormia e sempre estava cansada e com sono, pois a dor não me deixava dormir. Aí resolvi começar a me masturbar e me tocar pra saber até onde eu poderia ir. Durante seis semanas eu me concentrava e me manipulava, mesmo com dores extremas, mas nessas seis semanas eu nunca consegui chegar a um orgasmo. Foi então que conversando com meu psicólogo ele sugeriu que então tentasse massagear minha zona erógena com um massageador de fisioterapia que contém várias velocidades. Então comprei o massageador e fui devagar experimentando as velocidades, até que pela primeira vez após três após tive meu primeiro orgasmo. Apaguei. Meu corpo relaxou tanto que dormi quase após nos noite toda. Como sempre  gostei muito de pesquisar e  estudar, resolvi procurar na Internet pra ver se existia algum tipo de terapia ou forma de ter prazer sentindo dor. Até então nunca tinha ouvido falar no BDSM, foi quando apareceu na pesquisa o termo, Masoquismo,  a dor do prazer, isso me chamou atenção demais,e fui atrás me deparando assim pela primeira vez com o mundo dos fetiches e do prazer através da dor.

MESTRE SADE: Como foram suas experiências posteriores? Você passou a usar o BDSM como terapia para aliviar as dores?
Fran: Minha primeira ação em relação ao bdsm foi comprar um flog para testar em mim a capacidade de suportar a dor física imposta. Comecei batendo nas minhas coxas pois era onde eu alcançava melhor, entrava no meu quarto, colocava uma música gostosa e marcava em cada coxa 5 chicotadas. Sempre fazia isso nos picos mais graves de dor,me espancava pra tirar o foco da dor principal e isso me ajudou muito no início.  Muitas vezes combinava primeiro a chicotadas e depois me masturbava e os orgasmos passaram a ser frequentes, me tornei praticamente uma viciada em me masturbar após me bater


MESTRE SADE: Fale um pouco sobre sua experiência com bondage.

Fran: Minha primeira experiência com o bondage foi com um amigo, que queria aprender a fazer a arte do Shibari, e eu queria ter a sensação de ser amarrada. Mas como ele não sabia bem, não surtiu muito efeito, aí não encontrei quem pudesse fazer comigo essa experiência, eu só assistia tutoriais sobre Shibari e ficava maravilhada e querendo realizar essa vontade, até então não sabia o que ele me causaria,  só vim saber realmente quando experimentei com o Senhor. E foi lhe digo com toda certeza do meu coração: foi  a melhor sensação que já tive relacionada ao bdsm real. As amarrações bem apertadas pressionaram meus pontos gatilhos de dor foram anestesiados me dando um alívio imediato. Para mim ficar amarrada foi extremamente relaxante e tranquilo. Até por que me senti super segura tendo o Senhor como Shibarista, a sua tranquilidade me fez muito bem.
Você é acompanhada por uma equipe de médicos e psicólogo. O que eles dizem sobre esse método?
Sim, tenho uma equipe multidisciplinar que faz o meu acompanhamento do tratamento em si. Somente meu psicoterapêuta tem conhecimento dessa minha decisão em me envolver no BDSM como forma de tratamento paliativo e busca pelo prazer para ter mais qualidade de vida

MESTRE SADE: O que seu terapeuta diz sobre sua experiência?


Fran: Meu psicoterapêuta me disse que eu tinha encontrado o equilíbrio para controlar a dor e que se me fazia bem eu procurasse ver os lados positivos de me envolver no BDSM. (MestreSade)

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