quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Petplay: um relato pessoal



Crônicas do Mestre Sade

Quem me conhece sabe que embora goste muito de outras práticas, em especial bondage, de longe o petplay é minha prática predileta dentro do BDSM.
O petplay é algo novo dentro do BDSM. A primeira vez que vi algo sobre o assunto foi em 1999, ainda no tempo da internet discada. Encontrei em um site espanhol um conto intitulado “La perra” (a cachorra) em que uma submissa era tratada como uma cachorra e trazia uma foto de uma mulher de coleira, nua, de quatro, sendo puxada por uma guia.
Como se diz, foi amor à primeira vista. A foto era linda, o relato era muito interessante. Depois fui acumulando vídeos, fotos e textos sobre o assunto – durante muito tempo quase tudo que se encontrava era sobre ponyplays e só muito recentemente outros tipos de pets começaram a ganhar espaço, em especial graças à popularização de acessórios, como rabos, orelhas (em qualquer loja de fantasia você consegue uma orelha de gatinha a 20 reais em média) e coleiras (até há pouco tempo, a maioria dos petshops só tinham coleiras feias e desconfortáveis – hoje é fácil encontrar coleiras realmente bonitas a preços módicos)
Há várias coisas que me fascinam no pet. Para começo, é uma prática bonita. A submissas ficam realmente bonitas de rabo, orelhas, coleira, se comportando como uma pet.
Além disso, eu costumo me definir como um cuidador. Gosto de práticas em que exerço essa função. E a submissa, quando está como pet, fica totalmente dependente de seu dono: é ele que lhe dá comida, água, banho, é ele que lhe dá colo, que brinca com ela.
Outro aspecto me fascina: Submissas que são verdadeiramente pets incorporam o animal correspondente durante a sessão. É como se passassem uma borracha em todo o resto e se concentrassem apenas em ser um animal de estimação. Elas pensam e se comportam seja como uma gata, uma cachorra ou outro animal. E, de certa forma, levam características desses animais para sua vida baunilha. (MestreSade)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Como fazer uma sessão age


Crônicas do Mestre Sade
O ageplay é uma das variantes de maior sucesso atualmente no BDSM, especialmente na categoria em que o dominador faz o papel de Daddy e a submissa faz o papel de uma menina.
É o tipo de sessão que segue rituais diferentes de outras práticas BDSM.
Para começar, a roupa e a ambientação.
O ideal é que a submissa esteja vestida com roupas que caracterizem sua idade e o personagem que está interpretando. Camiseta com desenhos, saias, meias coloridas e até perucas ajudam a compor o visual. Unicórnios costumam ser um motivo comum nessas caracterizações, mas também podem ser usadas camisetas com personagens de desenhos animados. Saia e camisa social com gravatinha ajuda a compor o visual estudante.
Outra ótima opção são as roupas de cosplay de animes, desenhos animados e filmes. Minha menina costuma usar uma roupa de Sailor Moon.
Uma opção popular tem sido a personagem Arlequina, que, não por acaso, usa uma camiseta com os dizeres: “Daddy´s Litle Monster” (Pequena monstrinha do papai).
As chupetas também são um objeto de cena interessante. Em sites estrangeiros existem para vendas chupetas apropriadas para a prática, bem maiores que as normais, mas na falta desses podem ser usadas chupetas normais.
Também é importante que os objetos de cena estejam de acordo. A água da submissa pode ser colocada em uma mamadeira, ou em um copo colorido desses de canudino.
O cenário é igualmente essencial: bichos de pelúcia, almofadas coloridas, cartazes, tudo isso ajuda a compor o ambiente.
A sessão em si cosiste no Daddy cuidar de sua baby: dar banho, vestir, dar comidinha (aí vale comprar um pratinho rosa), colocar no colo, ler historinhas.
O comportamento da submissa também contribui muito para o sucesso da sessão. A menina não deve ser obediente demais para que possa ter castigo, afinal a sessão de spank faz parte do ageplay. Recursar-se a comer ou fazer birra são ótimas desculpas para levar umas palmadas do Baddy. Ou seja: ageplay é esencialmente um jogo de encenação. A menina faz birra apenas para que o papai a coloque no colo para esquentar seu bumbum com algumas palmadas. Outra opção de enredo é professor-aluna – e o spank ocorre quando a aluna erra alguma questão do trabalho de casa, por exemplo.
A sessão pode ficar apenas nessa encenação, ou pode evoluir para práticas sexuais. Nesse caso, é importante que as duas partes não saiam de seus papeis: o papai vai ensinar coisas sobre sexo para sua menina ingênua. O palavreado também deve acompanhar a fantasia: a baby pode ser incentivada, por exemplo, a chupar a “mamadeira” do papai.
Em suma, o ageplay é um divertido jogo de encenação. (MestreSade)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Como fazer a negociação


Crônicas do Mestre Sade

O primeiro passo de uma relação BDSM é a negociação. Uma negociação mal-feita pode comprometer completamente a relação.
A negociação é o momento do top conhecer o bottom, de perceberem afinidades, interesses em comum, fetiches que ambos curtem.
Sem a negociação, corre-se o risco, por exemplo, de uma submissa que não é masoquista acabar fazendo sessão com um sádico hard. É desastre na certa.
A negociação também é o momento de perceber se a outra pessoa é de fato, um praticante de BDSM. Com a proliferação de livros hot, como a trilogia 50 tons, o meio foi invadido por uma verdadeira legião de falsos praticantes, que eu chamo de domadores de circo e meninas maluquinhas.
Os domadores de circo são falsos dominadores que perceberam no sucesso de 50 tons uma chance de fazer sexo fácil. As meninas maluquinhas são as meninas deslumbradas com 50 tons, que acham que o dominador vai chegar num helicóptero e lhes dar de presente um i-Phone após cada sessão. As meninas maluquinhas são inconvenientes e uma perda de tempo, mas inofensivas. O maior perigo são os domadores de circo. Como não se dão ao trabalho de conhecer os princípios básicos do BDSM e os cuidados necessários em sessão, eles podem até mesmo colocar a vida das submissas em risco.
Essa fase de negociação é essencial, portanto, para identificar domadores de circo. A melhor forma de fazer isso é fazer perguntas sobre a filosofia BDSM, as práticas, os cuidados. Tem domador de circo que não se dá ao trabalho nem mesmo de pesquisar o que é BDSM e basta essa pergunta para descobri-los.
Passada essa fase (e percebendo-se que a outra pessoa de fato é praticante), segue-se para outros pontos essenciais na negociação: descobrir os fetiches em comum, os limites e conhecer de fato a pessoa. Um formulário de negociação ajuda muito nessa fase. Ele inclui diversas práticas e o submisso ou submissa precisa responder se já fez, se faria, se é limite etc. O ideal é que os interesses de ambos, tops e bottons, coincidam. Mas isso pode ser conversado. Uma submissa que não é masoquista pode, por exemplo, concordar em experimentar um spank leve. Por isso chama-se negociação.
Outro ponto importante é conhecer a outra pessoa, saber sua história, seu estado de saúde, seus interesses fora do meio BDSM. Nessa conversa para se conhecer, o dominador pode acabar descobrindo, por exemplo, que a submissa sofre de claustrofobia, o que inviabiliza práticas como mumificação (e, muitas vezes, a própria submissa não tem consciência disso). Isso ajuda também o dominador a entender as motivações da submissa.
Se for necessário, uma negociação pode durar semanas. O ideal é que o casal só vá para a sessão quando essa fase esteja plenamente contemplada. (MestreSade)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A origem da monogamia



Crônicas do Mestre Sade
Houve uma época, muito, muito tempo atrás, em que a maioria das sociedades eram matriarcal. Um resquício desse período está nas deusas mães, associadas à natureza e encontradas em muitas sociedades – estatuetas dessas deusas mães, na maioria das vezes representadas por uma mulher com seios fartos e largos quadris, estão entre os artefatos mais antigos já encontrados por arqueologistas. As mulheres dominavam porque elas sabiam o segredo da reprodução. Afinal, era graças a elas que nasciam as crianças – e o nascimento das crianças era associado às boa safras. O o arroz jogado sobre os noivos no casamento faz exatamente essa relação: ao jogarem arroz, os convidados tanto desejam uma boa safra (sucesso financeiro) quanto muitos filhos ao casal.
Nessas sociedades, a procriação era associada aos ciclos naturais. A fecundação geralmente se dava em uma festa logo após a semeadura. Nessas festas, praticamente todos transavam com todos: o ato sexual era um símbolo mágico de fecundidade. A gravidez das mulheres seria também a gravidez da mãe terra. Portanto, quanto mais sexo, mais comida, melhor qualidade de vida. Havia igualmente o lado prático: a maioria das crianças iria nascer na época da colheita, período de menos trabalho e grande fartura.
É evidente que em tal sistema era quase impossível determinar quem era o pai e isso era conveniente para as matriarcas. Afinal, sabia-se quem era a mãe, tida como única responsável pela procriação e associada à deusa.
Em algum momento os homens começaram a perceber que eram também responsáveis por esse processo. Mais: perceberam que o jogo de poder só mudaria de lado quando os homens pudessem controlar o processo de procriação. Inventou-se a exclusividade sexual. A preocupação em garantir que o filho seria mesmo do homem era tão grande que em algumas sociedades as mulheres eram mantidas praticamente prisineiros a vida praticamente inteira – primeiro pelos pais e depois pelos maridos – e não podiam ter qualquer contato com outros homens. Isso garantia uma linhagem pura.
Embora não fosse tão rigorosa nesse sentido, a socidade romana, por exemplo, considerava a traição um dos maiores crimes – e a razão era exatamente essa: a traição da mulher tornava impossível ter certeza de quem era o pai.  (MestreSade)

Bettie Page - a rainha das pin-ups



Crônicas do Mestre Sade

Bettie Page é uma daquelas figuras que povoam o imaginário masculino. Símbolo maior da era das pin-ups, ela também se tornou um ícone do fetiche ao posar em fotos em que era amarrada e chicoteada.
Vinda de uma família pobre, Bettie sonhava se tornar uma atriz de cinema. Já havia trabalhado como modelo em uma loja de casacos de peles quando conheceu e se apaixonou, em 1947, por Jerry Tibbs, um policial apaixonado por fotografia. Tibbs dizia que ela tinha a testa alta demais, o que não combinava com o cabelo partido ao meio que ela usava na época. Para dar menos destaque à testa, ela inventou a franja convexa e lisa, que virou sua marca registrada e foi copiada por muitas outras mulheres.
Estava pronto o visual que a tornaria célebre: a franja, os belos olhos azuis e o corpo escultural, com ancas volumosas e pernas grossas.
Seu namorado a apresentou a diversos fotógrafos, entre eles Irving Klaw, que era um apaixonado por bondage. No contrato assinado com ele ficou estabelecido que Betie só receberia seu pagamento por fotos em que estivesse amarrada e espancada (geralmente por uma mulher vestida por dominatrix, com trajes de couro e salto alto.
Betie era perfeita para esse tipo de foto. Seu rosto inocente combinava bem com o papel de submissa. Aliás, da mesma forma que Marilin Monroe, ela oscilava entre a inocência e a sensualidade, numa combinação que enlouquecia os homens. Em outras fotos ela aparecia como dominadora, fazendo spank em outras mulheres e seu jeito inocente tornava ainda mais interessante a cena ao mostrar o contraste de uma menina inocente dominando outra.
Depois de aparecer em cartazes e revistas (a edição da Playboy, com ela vestida de Mamãe Noel é uma das mais célebres) ela se tornou evangélica e tentou tornar-se pastora. Depois desapareceu da vida pública.
Apesar de sumida, ela não foi esquecida pelos fãs. Ela recebeu várias homenagens, entre elas, a história em quadrinhos Rocketeer, em que ela fazia o papel da namorada do mocinho.
Ela morreu em 2008, de ataque cardíaco. Em sua lápide está escrito "Bettie Mae Page - Rainha das Pin-Ups". (MestreSade)

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O que é cuckquean


Crônicas do Mestre Sade
Cuckquean é a versão feminina do fetiche cuckold. Se no cuckold é o marido que é corno de uma mulher dominadora, no cuckquean é a mulher que se torna corna de um provedor.
Embora sejam fetiches parecidos, ambos têm dinâmicas e motivações diferentes.
A primeira coisa a é deixar claro que cuckquean não é ménage. No ménage, três pessoas fazem sexo em condição de igualdade, no cuckquean cada um tem sua função. A da corna é, essencialmente, providenciar as condições para que o marido a amante tenham o máximo de prazer possível.
O prazer da cuckquean está justamente nisso, em proporcionar prazer aos dois e no orgulho da performance sexual do marido (muitas vezes chamado de provedor).
Existem vários tipos de cuckquean. Há algumas que apenas liberam seus maridos para que se relacionem com outras mulheres, há aquelas que gostam de assistir e há as ajudantes. Nessa última categoria, a esposa ajuda o marido a comer a amante. Ela pode, por exemplo, chupar a xoxota da amante para deixá-la lubrificada, pode providenciar camisinha, pode servir o casal enquanto transam. Nesse último tipo, a esposa literalmente cuida da amante: penteia seus cabelos, serve o café da manhã, providencia o banho, passa cremes em seu corpo, tudo para deixá-la feliz e bonita para o provedor.
Embora nem sempre o cuckquean seja uma relação BDSM, é muito comum que a esposa seja submissa, especialmente no caso da corna ajudante.
Nesse caso, a dinâmica pode ser incrementada com humilhações, como a esposa sendo obrigada a beijar os pés da amante ou provocações da parte desta. A esposa, pode, por exemplo, ser proibida de se masturbar, de modo que apenas a amante e o dominador tenham orgasmos.
Após o coito, a esposa pode dormir no sofá enquanto o dono e a amante dividem a cama.  Aliás, o próprio fato de cuidar da amante, de fazer comida para ambos, de providenciar tudo necessário para tornar o ato sexual mais prazeroso é um tipo de humilhação.
Algo a se dizer é que uma verdadeira cuckquean não faz isso por medo de perder o marido. Nesse caso não seria BDSM ou consensual. Ela faz isso porque sente prazer nesse tipo de relação. (MestreSade)

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Mumificação com cordas

A mumificação consiste na imobilização completa do corpo da submissa ou do submisso. Como o próprio nome sugere, a ideia é que o bottom pareça uma múmia. Geralmente usa-se fita adesiva e filme, mas resolvi fazer uma mumificação com cordas. Veja o resultado.
As duas imagens acima são da primeira tentativa. Observem a evolução das cores, seguindo o disco de cores de Newton, que dá ao conjunto de cores de Newton. Apesar do resultado positivo, percebi que deixei muito espaço entre as cordas. Tentei consertar isso na segunda tentativa (imagens abaixo). Nessa segunda tentativa também fechei com a corda verde, deixando o conjunto mais harmônico (e completando a escala de cores).

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Procura-se

Procura-se homens, mulheres ou casais submissos da região norte ou que tenham disponibilidade para viajar. Mandar e-mail para: mestresade1@gmail.com

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

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Pode existir amor no BDSM?



Crônicas do Mestre Sade

A maioria das pessoas, quando pensa em um dominador, pensa em alguém com um chicote, cara amarrada, punindo sua sub pelo menor deslize. Dentro dessa imagem chavão, há a crença de que não pode existir amor ou mesmo sentimento numa relação BDSM.
Claro, existem pessoas que gostam desse tipo de relação, mas quanto a mim acho que nenhuma relação se sustenta sem amor. E acredito que amor é algo muito mais efetivo para um dominador do que o medo. A submissa não deve obedecer o dominador porque o teme, mas porque o ama e ama tudo que ele lhe faz.
Antes de mais nada, é importante deixar claro que não estamos falando aqui do amor normal, baunilha. Um erro comum é confundir os dois, erro muito bem simbolizado numa frase que ouvi de uma fã de 50 tons: “Vou me apaixonar por um homem, ele vai me apaixonar por mim e, quando nós dois estivermos nos amamos, vou me entregar e ser sua submissa”. Ou seja: é como colocar a carroça na frente dos bois.
No amor BDSM a entrega vem antes.
O dominador se apaixona pela entrega da submissa. E, por outro lado, ela se entrega totalmente, é uma entrega total. A entrega de uma submissa é como se ela entrasse em um local escuro e segurasse na mão do dominador, que a guiaria. Apesar de não ver para onde está indo, ela sabe que está segura, sabe que quem está no comando cuidará dela.
A maioria das práticas é assim. No bondage, por exemplo, muitas vezes a submissa fica imobilizada e muitas vezes suspensa. Só funciona por que ela confia em seu dono. O bondage, aliás, é provavelmente a prática que demonstra maior entrega e confiança. Quem se deixaria amarrar por alguém que não confia?
E, com o tempo, a submissa se apaixona até mesmo pelas práticas. Seu amor ao dono se estende ao que ele lhe faz, mesmo que seja um castigo ou um spank. Minha submissa, por exemplo, nunca havia imaginado sentir prazer ao receber dor nos pés. Depois de uma sessão que envolveu bastinado e pregadores nos dedos, ela se apaixonou pela prática e se excita apenas de ver um pregador de papel, do tipo que usei nela. Seu amor pela dominação se estendeu à prática.
Por outro lado, o dominador se apaixona pela entrega da submissa e (por que não?) demonstra carinho pela sua sub quando isso for conveniente. Se for um dominador de verdade, guiará sua sub em segurança pelos caminhos do BDSM.
Pela parte do dominador, essa entrega total é apaixonante e um dominador de verdade aproveita isso, guiando sua submissa pelos caminhos do BDSM. (MestreSade)