sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O gancho anal


Crônicas do Mestre Sade

O gancho anal é um daqueles instrumentos BDSM que assustam quem não conhece. Parece um gancho de açougue, mas, ao invés da extremidade pontuda, tem uma bolota.
Apesar da aparência estranha e meio assustadora, é um instrumento que pode provocar muito prazer na submissa. A minha sub sente prazer a ponto de quase gozar apenas com a introdução do gancho. De fato, ela fica quase que imediatamente molhada.
O gancho normalmente é usado com outros elementos BDSM, em especial com bondage. Para que ele fique no lugar e não caia, é necessário amarrar a argola em algum lugar e puxar. Eu costumo fazer amarração e de seios e deixo uma parte da corda para segurar o gancho. Mas já vi várias outras opções, inclusive o gancho preso ao teto através de uma corda longa. O importante é que ele fique tensionado, puxando a bolota para cima.
Outra opção é realizar um spank nas nádegas da submissa enquanto ela usa o gancho. Ou fazer com que ela realize atividades cotidianas, como varrer a casa, usando o gancho (o que pode criar um clima interessante se o casal gosta de cenas de humilhação ou de mais - empregadinha).
Na verdade, são muitas as possibilidades de cenas envolvendo o gancho – vai muito da imaginação do dominador.
Existem também ganchos específicos para homens submissos. Nesse caso, a argola prende no pênis e a bolota no ânus.Existem versões em que o gancho prende no cinto de castidade, cumprindo dupla função: estimula o ânus ao mesmo tempo em que impede ereções.  
Por sua simbologia aparentemente agressiva, o gancho é um dos elementos mais interessantes na composição de uma cena. 

O que é BDSM?

Crônicas do Mestre Sade

O BDSM é muito mais que uma fantasia. É uma filosofia, um modo de viver. Para entender o BDSM é necessário, antes de mais nada, entender suas siglas. O B refere-se ao Bondage, o ato de amarrar a submissa ou submisso (há uma técnica especificamente japonesa, o shibari). O DS refere-se à relação de Dominação e Submissão, talvez uma das mais amplas, que inclui diversas técnicas, incluindo o petplay. E, finalmente, o SM se refere ao ato de provocar e receber dor. Essas várias técnicas pode ser usadas em conjunto ou separadas. Um dominador pode, por exemplo, gostar apenas de Dominação e Submissão e não ser um sádico, ou seja, pode não gostar de provocar dor.
Aliás, Muitos Mestres que preferem o DS e usam a dor apenas como tempero da relação. Toda relação desse tipo é baseada em três princípios: São, Seguro e Consensual (SSC). São significa que a saúde da submissa vem em primeiro lugar. Não se faz nada que coloque em risco a saúde física ou psicológica da mesma. O verdadeiro Dominador bate, mas não machuca e sempre respeita os limites da sub. Por isso, inclusive, existe a safe, um sinal ou palavra que a sub pode usar quando a prática é dolorida ou desconfortável demais, além dos seus limites. Até por respeito a essa cláusula, a submissa deve constantemente informar seu senhor sobre seu estado de saúde. Mas o bom Mestre conhece tão bem a sua submissa que normalmente ela nem mesmo precisa usar a safe. 
O seguro é consequência direta do saudável. Não se utiliza nenhuma prática que coloque em risco a vida da sub. O bom Mestre nunca usa práticas que não domina completamente ou que não tenha plena ideia das consequências (algumas práticas, aconselha-se, só podem ser exercidas por dominadores com conhecimentos médicos).
E, finalmente, Consensual: BDSM não é abuso. Ninguém sente prazer em ser abusada ou violentada. No BDSM, mesmo quando apanha, a submissa o faz de livre iniciativa. Além disso, o significado de um tapa no BDSM é completamente diferente de um marido que dá um tapa em sua esposa. O bom Mestre nunca bate com raiva ou como vingança. Mesmo quando bate, ele o faz como se fosse um carinho, uma forma de dar prazer à submissa e sempre sob supervisão e com todo cuidado, para não machucar.
Um Mestre verdadeiro nunca é grosseiro ou violento. Nunca grita, pois sabe que seu poder é exercido pelo amor, e não pelo medo.
No caso das pets, o sentido de cuidador do Mestre é ainda mais importante.  Afinal, enquanto está como pet (seja uma cachorrinha, uma gatinha etc), a submissa fica inteiramente dependente do dono, que lhe dá comida, água, lhe dá banho etc. Um bom Mestre combina com sua pet sinais que lhe permitam saber se ela está, por exemplo, com alguma dor ou desconforto.
E nada impede que o Mestre seja carinhoso, especialmente no caso de pets. Nada mais lindo e apropriado que colocar a pet no colo e fazer carinho. É uma experiência mágica tanto para o dono quanto para a submissa.

E, claro, há todo um aspecto psicológico envolvido. Uma mulher cujo cotidiano é estressante pode se refugiar em ser uma pet por um dia ou um final de semana, um momento em que ela esquece todos os problemas e se entrega totalmente a alguém que cuidará dela. O bom Mestre tem consciência desses processos e sabe lidar com eles. (MestreSade)

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Bondage: como preparar a corda

Muitas pessoas me perguntam como tingir e preparar as cordas, que corda usar etc.
Existem vários tipos de cordas. No Japão usa-se principalmente as cordas de juta, que são mais caras e difíceis de encontrar no Brasil.
Uma boa solução são as cordas de algodão, que são baratas e podem ser encontradas em qualquer armarinho. São bastante funcionais, especialmente para o bondage ornamental. Aqui vou explicar como preparar uma corda de algodão.
Antes de mais nada, o tipo de corda. Geralmente usa-se as de 6, 7 ou 8 milímetros. Um kit com 20 metros sai em média de 15 a 20 reais.
Há quem use cordas de 6 ou 8 metros. Eu prefiro 10 metros, que me dá mais possibilidades de trabalhar a amarração.
Eu gosto de tingir eu mesmo as cordas.
Tintas e fixador usados para colorir as cordas. 

Nas mesmas lojas que vendem cordas é possível comprar as tintas. A quantidade depende da tonalidade que você quer dar à corda, mas geralmente um tubo dá para tingir um conjunto de 20 metros.
É necessário "cozinhar" a corda. 
Dilua o conteúdo em uma panela com uma quantidade de água que cubra a corda e leve ao fogo. Quando a misturar estiver fervendo, coloque a corda. A tendência da corda será subir e ficar na superfície. Para evitar manchas, use uma colher para mergulhar a corda de novo na mistura.
Deixe a corda "cozinhando" por cinco minutos ou mais. 
Depois de tingida, coloque a corda em uma solução com água fria e fixador. Não economize fixador: em média um tubo dá para três cordas de 10 metros. 
Deixe 10 minutos ou mais de molho no fixador. 
Depois do fixador, coloque a corda para secar na sombra.
O toque final será dado nas pontas. Uma opção é simplesmente fazer um nó, evitando que a corda se desfaça. Outra opção é passar uma fita adesiva nas pontas).

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

EXIT TO EDEN: o amor é uma grande fantasia


Crônicas do Mestre Sade
Exit to eden (no Brasil, O amor é uma grande fantasia) é um filme de 1994 dirigido por Garry Marshall. O roteiro é baseado no romance homônio de Anne Rice (autora do livro Entrevista com o vampiro), assinando como Anne Rampling (um trocadilho com uma prática BDSM, o trampling).
Na história, dois detetives investigam um traficante internacional de jóias. A única pessoa que tem uma foto desse traficante é um rapaz submisso que se inscreve num programa de uma ilha paraíso BDSM, em que os convidados são divididos entre dominantes e submissos. Assim, tanto os detetives quanto o bandido e sua parceira seguem para a ilha, disfarçados, na tentativa de conseguir as fotos.
Trata-se de uma comédia romântica e as situações de humor se dão principalmente no impacto do mundo BDSM sobre os dois detetives baunilhas (a mulher disfarçada de dominatrix e o homem disfarçado de homem da manutenção).
O melhor do filme é a caracterização visual e as cenas de fundo. Escravos e escravas usam coleiras e braceletes e andam apenas de sunga e biquíni (no caso das mulheres). Uma das sequências mais interessantes é um parque de diversões BDSM, em que Dommes andam em um carrossel em que os cavalinhos são escravos. Em outro cena, duas Dommes jogam tênis e a bola é um submisso. Em suma: há de fundo diversas situações de puro fetiche.
A relação entre o submisso e a rainha que administra a ilha em alguns momentos não parece verossimilhante (para alguém que comanda um local como esse ela parece muito insegura na maioria dos momentos), mas funciona dentro do esquema comédia romântica a que o filme se propõe.
E até a dupla de detetives, que inicialmente rejeita absolutamente ao mundo da ilha, aos poucos vai se encantando com o que vê – e terminam os dois transformados pela experiência.
Enfim, Exit to Eden é uma comédia romântica divertida e gostosa. Filme obrigatório para os fãs de BDSM.

Em tempo: Anne Rice ou é uma dominadora, ou fantasia bastante com o tema. Há uma obra dela sobre BDSM, a trilogia da Bela Adormecida, e, para olhares mais atentos, até mesmo sua obra sobre vampiros traz ecos BDSM. (MestreSade)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Brincadeiras BDSM

Crônicas do Mestre Sade

Uma das características mais interessantes do BDSM é que ele amplia a sexualidade muito além daquilo que é considerado sexual. Para a maioria das pessoas, sexo se restringe à penetração. Para um casal BDSM, um volta no shopping ou uma festa na casa de amigos podem ser ótimas oportunidades de brincadeiras sexuais – sem que ninguém além do casal desconfie.
Uma das possibilidades está relacionada ao bondage. Existem amarrações que não imobilizam e podem ser facilmente escondidas sob a roupa – em especial se o casal vive em um local frio. A karada, por exemplo, que envolve toda a região do tronco. Existe também a amarração de seios ou genital. Essas amarrações estimulam regiões erógenas, provocando prazer. O simples ato de caminhar pode se tornar excitante. O interessante aí é que ninguém mais, além do casal, sabe o que está acontecendo – o que aumenta ainda mais a excitação do momento.
Outra opção são os plugs ou joias anais. Se não forem muito grandes, podem ser usados por um bom tempo, sem incômodo. Minha sub, por exemplo, já está bastante acostumada à joia e consegue usar por horas. Os locais em que fomos com ela usando a joia são os mais variados: shopping, cinema, festas em casas de amigos... Mais uma vez, é uma prática insuspeita: ninguém sabe que ela está plugada, exceto nós dois. E isso é o excitante da situação.
As cápsulas vibratórias também podem ser usadas. Elas são pequenos vibradores introduzidos na vagina da submissa com um controle que fica com o dominador. Uma vez ligada, a cápsula começa a vibrar, provocando prazer na mulher. A cápsula não faz nenhum volume e pode ser usada em qualquer lugar, inclusive na rua, na praça, em uma festa... Gosto de deixar desligada e ligar apenas em momentos inoportunos, como por exemplo, quando ela está conversando com alguém. É muito divertido ver ela parar o que está falando ou fazendo e me olhar com aquele olhar de quem está prestes a gozar.
Finalmente, existe uma possibilidade que não necessita de nada além do maior órgão sexual da mulher: a mente. O jogo consiste em mandar a submissa gozar em locais públicos. Claro, só funciona depois de algum treinamento em orgasmo mental. Não dá para conhecer a moça hoje e amanhã sair para passear com ela e manda-la gozar. Mas com o tempo é possível condicioná-la a esperar a ordem do dominador para gozar. Uma ordem firme: “Goza!” pode ser um ótimo estimulo para que ela consiga chegar ao clímax. Depois de um bom condicionamento é possível usar isso em locais públicos. Por exemplo, em um elevador lotado, sussurrar no ouvido dela: “Goza!”. Existem mulheres que ficam tão excitadas que chegam ao orgasmo. Outras ficam totalmente molhadas.

Essas são apenas algumas das possibilidades. O dominador pode descobrir muitas outras brincadeiras a dois que podem ser feitas em locais públicos. (MestreSade)

sábado, 17 de junho de 2017

A função terapêutica do bdsm

Crônicas do Mestre Sade

Existem pesquisas que demonstram que o BDSM pode ser usado como elemento terapêutico. Um estudo da Universidade de Northem Illinois, por exemplo, mostrou que uma sessão de sadomasoquismo provoca reação semelhante à da meditação. Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine (feito com análise de 902 praticantes) mostrou que os praticantes de BDSM têm baixo nível de rejeição, são abertos ao novo e no geral têm um bom estado psicológico. Nos EUA há um psicólogo que usa bondage no tratamento de seus pacientes. Segundo ele, a amarração provoca uma sensação de segurança equivalente a um abraço, liberando o hormônio ocitocina na pessoa que está sendo amarrada.
Desde que comecei a praticar BDSM sempre percebi que havia algo de terapêutico nas práticas. A prática escolhida pela submissa estava sempre relacionada a uma motivação psicológica. Uma moça que não teve atenção do pai quando pequena pode por exemplo, se encantar com o age e procurar um Daddy que cuide dela.
O mesmo ocorre com o bondage. Sempre percebi que ele provoca uma sensação de relaxamento tanto em quem amarra quanto em quem é amarrado.
Talvez a situação mais gritante de função terapêutica do bondage foi quando vi um dominador amarrar uma moça deficiente. Ela andava em cadeira de rodas nitidamente tinha problemas para mexer até mesmo as mãos, mas encontrava satisfação em ser amarrada e ter seus movimentos restrito pelas cordas. Era, provavelmente, uma forma de lidar com as próprias limitações pessoais e tirar prazer da restrição de movimentos.
Em Fortaleza conheci uma moça, Fran Lauren, que entrou no BDSM justamente buscando essa função terapêutica. Tive ocasião de amarrá-la e segundo relatos dela, o bondage ajudou em muito a aliviar as dores, permitindo inclusive que ela dormisse melhor.
Reproduzo aqui uma entrevista com ela a respeito de sua experiência com esse aspecto do BDSM.

MESTRE SADE: Você teve um acontecimento em sua vida que a deixou com várias sequelas. Pode falar um pouco sobre essas sequelas

Fran: As seqüelas são dores fortíssimas na região do encéfalo  e lesões desmielinizantes espalhadas pelo corpo causando muitas vezes a paralisação dos membros superiores e inferiores. É uma dor na fibra dos nervos, de origem neurológica.

MESTRE SADE: Como você chegou ao BDSM?

Fran: A vida pra mim sempre foi muito difícil, mas sempre senti dentro de mim que valia a pena ser feliz e viver, mesmo sentindo muita dor. Sempre gostei de beijar, namorar, fazer amor é ter uma vida sexual ativa, mas devido às dores eu não conseguia absolutamente nada disso,  me sentia impotente e incapaz de ter vida se tudo que eu fazia em cada movimento eu sentia mais dor. Ainda no hospital conversando com meu psicólogo eu disse a ele que tinha a necessidade de ter vida e ser normal como as demais mulheres e ele me disse que eu mesma tinha que encontrar um equilíbrio, pois só eu teria como descobrir o prazer de viver novamente mesmo sentido dores que só o mais forte dos ópios chamada óxicodona conseguia diminuir. Eu não tinha vida, pois não dormia e sempre estava cansada e com sono, pois a dor não me deixava dormir. Aí resolvi começar a me masturbar e me tocar pra saber até onde eu poderia ir. Durante seis semanas eu me concentrava e me manipulava, mesmo com dores extremas, mas nessas seis semanas eu nunca consegui chegar a um orgasmo. Foi então que conversando com meu psicólogo ele sugeriu que então tentasse massagear minha zona erógena com um massageador de fisioterapia que contém várias velocidades. Então comprei o massageador e fui devagar experimentando as velocidades, até que pela primeira vez após três após tive meu primeiro orgasmo. Apaguei. Meu corpo relaxou tanto que dormi quase após nos noite toda. Como sempre  gostei muito de pesquisar e  estudar, resolvi procurar na Internet pra ver se existia algum tipo de terapia ou forma de ter prazer sentindo dor. Até então nunca tinha ouvido falar no BDSM, foi quando apareceu na pesquisa o termo, Masoquismo,  a dor do prazer, isso me chamou atenção demais,e fui atrás me deparando assim pela primeira vez com o mundo dos fetiches e do prazer através da dor.

MESTRE SADE: Como foram suas experiências posteriores? Você passou a usar o BDSM como terapia para aliviar as dores?
Fran: Minha primeira ação em relação ao bdsm foi comprar um flog para testar em mim a capacidade de suportar a dor física imposta. Comecei batendo nas minhas coxas pois era onde eu alcançava melhor, entrava no meu quarto, colocava uma música gostosa e marcava em cada coxa 5 chicotadas. Sempre fazia isso nos picos mais graves de dor,me espancava pra tirar o foco da dor principal e isso me ajudou muito no início.  Muitas vezes combinava primeiro a chicotadas e depois me masturbava e os orgasmos passaram a ser frequentes, me tornei praticamente uma viciada em me masturbar após me bater


MESTRE SADE: Fale um pouco sobre sua experiência com bondage.

Fran: Minha primeira experiência com o bondage foi com um amigo, que queria aprender a fazer a arte do Shibari, e eu queria ter a sensação de ser amarrada. Mas como ele não sabia bem, não surtiu muito efeito, aí não encontrei quem pudesse fazer comigo essa experiência, eu só assistia tutoriais sobre Shibari e ficava maravilhada e querendo realizar essa vontade, até então não sabia o que ele me causaria,  só vim saber realmente quando experimentei com o Senhor. E foi lhe digo com toda certeza do meu coração: foi  a melhor sensação que já tive relacionada ao bdsm real. As amarrações bem apertadas pressionaram meus pontos gatilhos de dor foram anestesiados me dando um alívio imediato. Para mim ficar amarrada foi extremamente relaxante e tranquilo. Até por que me senti super segura tendo o Senhor como Shibarista, a sua tranquilidade me fez muito bem.
Você é acompanhada por uma equipe de médicos e psicólogo. O que eles dizem sobre esse método?
Sim, tenho uma equipe multidisciplinar que faz o meu acompanhamento do tratamento em si. Somente meu psicoterapêuta tem conhecimento dessa minha decisão em me envolver no BDSM como forma de tratamento paliativo e busca pelo prazer para ter mais qualidade de vida

MESTRE SADE: O que seu terapeuta diz sobre sua experiência?


Fran: Meu psicoterapêuta me disse que eu tinha encontrado o equilíbrio para controlar a dor e que se me fazia bem eu procurasse ver os lados positivos de me envolver no BDSM. (MestreSade)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Exclusividade


Crônicas do Mestre Sade

Recentemente um artigo do site Verdugo causou polêmica na página. Mais especificamente na parte do texto em que o autor dizia que a submissa não deve pretender exclusividade.
Confesso que sempre desconfio quando conheço uma submissa que me diz, logo de cara, que exclusividade é uma exigência.
Claro, cada relacionamento é baseado na negociação entre as partes. Mas a exigência de exclusividade me parece estranha pela atitude mental que ela guarda.
Não faz muito tempo conversava com uma amiga Domme iniciante, que me reclamava que seu submisso não aceitava inversão (prática em que a dominadora manipula o ânus do submisso). Perguntei-lhe se, durante as sessões, ela a penetrava. A resposta foi sim. Não é segredo que o ato de penetrar carrega si uma forte carga de poder. Na Roma antiga, nas relações entre homens, só aristocratas podiam penetrar e escravos só podiam ser passivos. Ou seja: na cabeça dele, ele ainda o “macho”, o cabeça da relação, a pessoa que penetrava. Por mais que eles se denominassem submisso e dominadora, na cabeça dele, ele dominava.
Da mesma forma, dia desses me deparei com uma submissa que me disse que procurava um dono, mas não aceitava nenhuma forma de spank ou castigo. Como dominar alguém sem algum tipo de castigo, mesmo um spank leve? No fundo a exigência guardava um valor simbólico: era uma forma metal de se submeter sem se submeter.  
Chego à exclusividade. Um dominador é dono da sua posse, e não o contrário. Exigir exclusividade não seria uma forma de possessividade? Não seria uma forma, de dizer que, no fundo, ela mantém o poder na relação?
Claro que todo relacionamento, e principalmente um relacionamento BDSM, está fundamentado na negociação e a submissa tem um direito absoluto, que não pode ser contestado: ela tem o poder de entregar a coleira, encerrando a relação a qualquer momento. Se em determinado momento o dono decidir ter outra submissa, cabe a ela aceitar ou simplesmente entregar a coleira. Mas pode ser também que a relação com o tempo evolua para que essa aceitação seja natural.
Da mesma forma, um casal pode usar em sua intimidade práticas BDSM sem necessariamente ser BDSM, e não há nada de errado nisso. O fato de apimentar a relação com um spank erótico ou um bondage simples pode ser motivador, sem que a relação deixe de seguir os princípios de um relacionamento baunilha.

Mas, entre todas as possibilidades, a única realmente impraticável é a que mais tenho visto: “dominadores” que prometem exclusividade para suas posses, mas em paralelo, mantém outras em segredo. E um belo dia a submissa que havia exigido exclusividade descobre que tem duas ou três “irmãs de coleira”. (MestreSade)

terça-feira, 6 de junho de 2017

A varinha mágica


Crônicas do Mestre Sade
Um dos assessórios eróticos mais famosos no BDSM, em especial em cenas de orgasmo forçado é o vibrador Hitashi magic wand, também chamado de varinha mágica.
Esse instrumento originalmente era um potente massageador. Mas logo as pessoas começaram a perceber que ele era ainda mais eficiente para provocar orgasmos. Aliás, esse é um dos seus “defeitos”: ele é tão potente que a mulher tem orgasmos quase imediatamente. Minha submissa me relatou que com vibradores normais o orgasmo vem aos poucos, de maneira mais tranquila e prazerosa. Com a varinha mágica, o efeito é arrasador, incontrolável.
Em outras palavras: ele é perfeito para cenas de orgasmo forçado – quando o dominador utiliza o gozo da submissa como tortura. Essa prática pode ser ainda mais efetiva se associada ao spank: bater na bunda da submissa enquanto o Hitashi lhe estimula o clitóris provoca ondas de prazer misturadas com dor que arrancam gritos na submissa. É sinal de que os orgasmos se tornaram incontroláveis, que o prazer se tornou tortura. Nesse ponto é interessante continuar por algum tempo, mas não muito. Deixe a submissa descansar antes de começar outra sessão de orgasmos forçados.
Depois de algum tempo, só tocar com a mão na região genital já provoca arrepios, tão sensível fica a área. Ou seja: é uma experiência de orgasmo extremo.
Uma alternativa interessante é associar a varinha mágica com o bondage: amarrar o aparelho na posição correta e depois amarrar as pernas da submissa (de modo que as próprias pernas façam pressão sobre o vibrador) e as mãos. Aí é só observar a submissa imobilizada, se contorcendo de prazer.
O sucesso do Hitashi fez com que surgissem vários outros aparelhos semelhantes, com outras características. O modelo original, por exemplo, vem com um fio elétrico, que deve ser ligado na tomada. Eu optei por um modelo com bateria recarregável, que me dá mais mobilidade. Muitas vezes em um motel não há tomadas próximo da cama. Esse modelo sem fio me pareceu bastante eficiente (embora tenham me dito que o com fio é ainda mais potente).
 Qualquer que seja o modelo, certamente é um brinquedo muito divertido. (MestreSade)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Pés e BDSM


Crônicas do Mestre Sade

Se há uma parte do corpo que está intimamente relacionada ao BDSM é o pé. Os pés são uma fonte constante de fetiche e simbologias – e o BDSM vive tanto de um quanto de outro.
Para começo, a podolatria é um forte elemento de subjeção e humilhação. Colocar a submissa para beijar, lamber e adorar os pés de seu dono é uma forma de colocá-la em seu lugar. Afinal, o pé é a parte mais baixa do corpo de uma pessoa e, ao idolatrar o pés de seu dono, a sub se posiciona ao seu nível. Por isso se diz que uma escrava deve estar sempre aos pés do dono. É uma forma de demonstrar sua submissão, humildade e dedicação. Além disso, claro, os pés são repletos de terminações nervosas. Ao beijar e lamber os pés do dono, a escrava lhe dá prazer e dar prazer ao dono é a principal função de uma sub.
Por outro lado, há toda uma simbologia relacionada aos pés da própria sub.
Na época do Brasil colônia, uma das simbologias que separavam um escravo de um homem livre era o sapato. Era proibido aos escravos usarem qualquer tipo de sapato. Os pés nus do escravo eram o índice mais visível de sua condição social. Assim, os pés serviam, historicamente para distinguir donos de suas posses.
A mesma simbologia pode ser aplicada às relações BDSM. No meu entendimento, uma submissa nunca deve usar sapatos, sandálias ou algo semelhante. Deve sempre estar com os pés nus, demonstração visual de sua condição de propriedade e não de posse.
Por outro lado, grilhões são objetos que também estão associados à posse. Antigamente, um escravo não tinha escolha. Era acorrentado e tinha que servir a senhores dos quais não gostava. Hoje, as escravas estão acorrentadas por seu amor a seu dono. Elas lhes entregam suas vidas, seu prazer, sua dor, sua dedicação.

Por isso pés acorrentados são tão bonitos. São um símbolo máximo de entrega.(MestreSade)